segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Lista de exercícios - Demanda e Inventário - Lista 3 N2

Lista de exercícios - Demanda e Inventário - Lista 3 N2


Previsão de Demanda e Inventário na Crise

Publicado em 05/04/2009 por Luiz de Paiva em Armazéns, Inventário

Durante uma crise como a atual, o planejamento de vendas e operações toma uma complexidade inigualável. Prever a demanda é quase um jogo de loteria, com informações confusas e divergentes. O crédito para as operações do dia a dia está cada vez mais ausente.

Neste cenário, no entanto, o planejamento de vendas e operações (S&OP) adquire uma importância ainda maior. A consultoria americana Supply Chain Consultants publicou um documento intitulado “The Role of S&OP in a Depressed Economy” com algumas reflexões sobre o tema, as quais resumo e comento neste artigo.

Ao invés de entrar em pânico, as empresas devem tomar uma resposta rápida a tornar S&OP ainda mais robusta através dos seguintes passos básicos:
  • Estabelecer uma previsão de demanda única e concordada.
  • Estabelecer alvos para os níveis adequados de inventário.
  • Usar os processos-padrão para balancear a oferta com a demanda prevista.
  • Executar os planos.
  • Monitorar o realizado x planejado.
A Importância de uma Previsão de Demanda Realista

Um erro frequentemente cometido pelas empresas é reduzir a previsão de demanda somente para o curto prazo, e deixar o médio e longo prazos com a previsão original. Esta é uma armadilha causada por um otimismo exagerado das equipes de vendas, que pode levar a decisões erradas, já que a recuperação dos mercados dificilmente vêm tão rápido.

Manter uma previsão de demanda pouco realista inevitavelmente causará o efeito chicote, já que após um certo tempo a empresa irá reagir contra os inventários excessivamente altos e tomará ações para reduzi-lo, mas de forma descasada com as vendas.

A consequência deste descasamento entre operações e vendas é que a confiança nas previsões de demanda desaparece, e cada setor da empresa começa a trabalhar com sua própria previsão (normalmente a de vendas mais otimista e a de operações mais pessimista).

O importante é, portanto, reduzir a previsão com antecedência, e monitorar de perto o mercado para tomar ações corretivas com os sinais do mercado, mas sempre mantendo uma única previsão para toda a empresa.

Como Obter uma Previsão de Demanda Realista

Dados históricos e “feeling” não são suficientes com as fortes mudanças do mercado na crise. Métodos estatísticos podem ser usados, mas os planejadores devem ajustar os parâmetros para refletir de forma

adequada o histórico recente, refletindo a crise. Ainda assim, outras medidas devem ser tomadas para que iniciar uma discussão saudável em relação à previsão de demanda:
  • Discutir abertamente o problema, tanto internamente quanto com os clientes. Os clientes também devem estar fazendo o ajuste em suas previsões, e com certeza também estão tendo dificuldades. Esta interação pode levar a números mais realistas.
  • Isolar e prever separadamente qualquer produto novo que foi introduzido desde Março de 2008. Isto fará com que não atrapalhem as previsões para as famílias de produtos, já que não haverá dados comparativos para eles.
  • Comparar as vendas de de Outubro 2008 a Março 2009 com o mesmo período anterior, e calcule a % de variação mês a mês e no total de período de 6 meses.
  • Considere aplicar a variação de 6 meses à previsão que você teria usado inicialmente.
  • A partir desta previsão reduzida faça um ajuste fino para cima ou para baixo com base em informações de seus clientes.
Ajustando o Inventário

Muitas empresas foram tomadas de surpresa pela forte e rápida mudança no mercado nos primeiros meses da crise. Se a sua é uma delas, pode ser necessário fazer ajustes imediatos no inventário que está sendo carregado.

Eliminar o Inventário Inútil

O primeiro passo é eliminar toda e qualquer peça de material de inútil que houver em seu inventário, que não possui nenhuma demanda ou consumo identificável. Isto pode ocorrer por diversas razões: retrabalho excessivo nas peças, material produtos em desenvolvimento que nunca foram lançados, itens fora de especificação, peças semi-acabadas que não terão uso devido a uma mudança na estrutura do produto, ou simples obsolescência.

Aonde Mais Reduzir o Inventário?

O primeiro passo é trabalhar nos 20% de materiais que possuem uma participação maior no valor do inventário. A redução destes materiais terá o maior impacto no inventário total da empresa. Avalie itens cuja demanda nos últimos 2-3 meses tem sido muito baixa e não há previsão de mudança no cenário no curto/médio prazos.

Avalie também itens cujo inventário ainda parece adequado, mas cuja demanda tem sido reduzido constantemente nos últimos meses, para corrigir a entrada de mais material no inventário antes de que ele fique excessivo.

Este também é o momento adequado para repensar a estratégia de reposição de inventário, a distribuição de inventário em diversas localidades (ou redistribuição), entre outros fatores. Em resumo, a crise mundial exige criatividade e inovação, fugindo da forma “como sempre foi feito”.

Inventários Gerenciados a Partir da Demanda

Recentemente assisti a um webcast apresentado pela revista Industrial Distribution, com participação da Infor e da Aberdeen. Nesta apresentação são discutidas as mudanças pelas quais a logística passa, saindo de um formato no qual os fabricantes empurram produtos para seus clientes e mercados, e entrando em um formato no qual a demanda é a que puxa a produção e distribuição (cada vez com maior personalização).

Existe uma forte pressão para reduzir os custos sem deixar cair os níveis de serviço, devido à forte competição na maioria dos mercados. Além disso, a busca de novos produtos, mercados e oportunidades pode facilmente gerar excessos de inventário quando algo sai do planejado. Para que se possam atingir os objetivos sem problemas de qualidade ou inventário, devem ser adotados novos modelos de gestão do

inventário, como integração da cadeia de suprimento, colaboração e planejamento orientado pela demanda. Estas mudanças somente podem ser atingidas com o foco conjunto em tecnologia e processos.

Tradicionalmente, os inventários das empresas passam por um ou mais destes problemas: falta de alinhamento das compras com os objetivos estratégicos, foco na demanda histórica ao invés da demanda prevista e planejamento e verificação do estoques de forma limitada. Isto pode afetar o desempenho financeiro, complicar as operações e retirar parte do valor observado pelos clientes. A chave é que as empresas adotem uma mudança completa na filosofia de gestão de inventários, não se limitando a algumas mudanças nos processos.

A cadeia de suprimento na qual as empresas empurram o produto para o mercado possui as seguintes características:
  • Altos volumes e velocidade de entrega
  • Alta eficiência com baixos níveis de custos
  • Produtos voltados ao mercado de massa
  • Alta confiabilidade da cadeia de suprimento
  • Processos estáticos
  • Gestão automatizada na cadeia.
Ao migrar para um modelo no qual o mercado ou cliente puxam os produtos, ocorre uma mudança drástica nas características das operações:

  • Menores volumes e velocidade de entrega (já que o produto poderá passar por ajustes ou personalização antes de ir para o cliente)
  • Maiores custos para a entrega
  • Produtos voltados a nichos, com maior inovação
  • Cadeias de suprimento devem ser mais flexíveis e ágeis
  • Processos variáveis
  • Maior envolvimento humano na gestão da cadeia
Apesar de representar novos desafios, esta migração na filosofia de gestão de inventário pode levar a diversos benefícios, como:
  • Redução do inventário
  • Maiores níveis de serviço para o cliente
  • Redução de custos e aumento da produtividade com o alinhamento dos processos
  • Melhor antecipação da demanda futura
  • Estabelece bases para a expansão e colaboração.
O planejamento é muito importante na gestão de inventário, mas não deve ser baseado em dados históricos, ou em previsões do próximo elo da cadeia. Empresas que mantém esta forma de trabalho correm sério risco de serem afetadas pelo efeito chicote. Este planejamento deve ser conciliado com as previsões de demanda futura do usuário final (e os diversos fatores que a afetam).

Lembrem-se de alguns pontos importantes: O inventário orientado pela demanda não é uma questão de tecnologia somente. Para facilitar a transição, podem ser definidas metas progressivas e incrementais, que possibilitem às equipes da organização monitorar seus resultados em períodos curtos.

Finalmente, as chaves para esta mudança de filosofia são:
  • Processos adequados
  • Equipes multifuncionais e com autoridade para a tomada de decisão
  • Conhecimento profundo dos dados de performance e mercado
  • Tecnologia que centralize as informações e simule os cenários de negócios
  • Métricas que possibilitem uma integração entre departamentos em torno de objetivos comuns.
Questões:

1. Qual a importância da previsão de demanda em tempos de crise?
2. Explique as consequências da previsão de demanda no gerenciamento dos inventários?
3. Qual a importância do inventário para o gerenciamento dos estoques?
4. Quais as dificuldades para realização de inventários? Como Tornar os inventários mais eficientes?

Respostas:

1. Qual a importância da previsão de demanda em tempos de crise?
Resposta:
Em tempos de crise, a previsão de demanda pode auxiliar a evitar acúmulos de estoque. Boas previsões irão manter os níveis de estoques ajustados às quantidades demandadas, evitando gastos desnecessários.


2. Explique as consequências da previsão de demanda no gerenciamento dos inventários?
Resposta:
A previsão de demanda determina o que será produzido e estocado nos próximos períodos. Quanto mais a previsão de demanda se aproximar do valor real consumido, menores serão as faltas de mercadoria ou o excesso de estoques. Boas previsões ajudam a manter o estoque no ponto ótimo, maximizando o lucro.


3. Qual a importância do inventário para o gerenciamento dos estoques?
Resposta:
O inventário é o instrumento que permite ao gestor visualizar rapidamente os níveis de estoques. Com o inventário é possível saber como regular a produção para manter os níveis previstos de demanda atendidos. A partir da diferença entre a quantidade demandada e o nível do inventário, calcula-se a quantidade a ser produzida.
A partir do inventário também é possível realizar classificações de itens, como a curva ABC, que possibilitam dar um tratamento diferenciado aos itens, conforme a quantidade vendida ou o percentual do faturamento que representam.


4. Quais as dificuldades para realização de inventários? Como Tornar os inventários mais eficientes?
Resposta:
As dificuldades para a realização de inventários dependem dos tipos de itens que serão contados e da forma como os itens estão organizados. Por exemplo, itens pequenos soltos são mais difíceis de contar do que caixas fechadas com códigos de barras. Itens que utilizem a tecnologia RFID (Radio Frequency Identification) podem ser ainda mais fáceis de contar.
A realização do inventário requer trabalho e pode atrapalhar o desenvolvimento de outras atividades da empresa, ocupando pessoal e utilizando o espaço de estocagem.
Os inventários podem ser realizados de forma mais eficiente se forem realizados por seções de produtos, se houver equipamentos leitores de códigos de barras ou equipamentos com tecnologia RFID para auxiliar na contagem. O cadastro preciso de cada produto no sistema computacional que gerencia o estoque é importante para o fluxo do processo de contagem, evitando paradas para acertar o cadastro.
É importante manter os inventários o mais próximo do valor real dos estoques, para que as previsões de demanda sejam supridas sem faltas de produtos e sem estoques em excesso.


Lucas T R Freitas

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